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São José de Calasanz
1.- Sua Origem
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José de Calasanz nasceu em
setembro de 1557, na pequena cidade de Peralta, no norte da Espanha, numa
família numerosa e simples; em dezembro de 1583 foi ordenado sacerdote; era
jovem de boas qualidades, forte e inteligente; queria crescer na vida e ser
alguém;
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em 1592, aos 35 anos, com o
título de doutor em teologia, embarcou para Roma com intenção de voltar em
breve; mas... seus planos iriam mudar radicalmente; buscava vantagens para
ele, sem imaginar que encontraria sua vocação definitiva “na criançada romana,
abandonada, sem estudos, sem futuro...”
2.- A dura realidade da vida
e...“Uma Escola Nova para os pobres”
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a miséria moral e social de Roma, naquele
final do século XVI, tocou fortemente seu coração; a educação era privilégio
de
poucos; as crianças perdiam a vida jogadas na rua, totalmente abandonadas;
foi descobrindo o verdadeiro e dramático alcance da miséria, carências,
ignorância e
abandono da maior parte da população de Roma;
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não foi insensível a essa
realidade e foi crescendo no coração o desejo de assumir uma missão difícil :
“oferecer educação a meninos e jovens abandonados, levando-os a
descobrir o valor da vida, despertando neles o desejo de crescer, de ser
alguém, de libertar-se das ignorâncias, de ser filhos de Deus”
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os que mais sofriam eram as
crianças que enchiam ruas, sem ter nada a fazer, sem presente nem futuro, sem
escolas...; filhos de famílias pobres, sem mínimas condições de educação;
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as escolas de Roma eram
insuficientes e pobres, com pouquíssimos recursos; um dia fazendo uma visita
na periferia da cidade, na paróquia de Santa Dorotéia, ficou surpreso com a
escolinha que existia ao lado da igreja, aberta aos alunos humildes do bairro;
foi o suficiente; gostou daquela idéia, e começou a colaborar; comprou os
primeiros cadernos, canetas, livros...
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começou a trabalhar com
entusiasmo, e seu coração ficou amarrado para sempre naquelas crianças;
expressava assim aquela vocação radical : “encontrei em Roma a melhor
maneira de agradar a Deus, educando as crianças pobres, e nunca abandonarei
esta tarefa”;
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era o ano 1597; com muita fé
em Deus e amor pelos pequenos abandonados, tomou a grande decisão de sua vida
: “dedicar-se exclusivamente à educação do menor carente”; nunca mais voltou
atrás; o grande acontecimento de sua vida foi ter encontrado sua felicidade na
entrega total à educação das crianças;
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a partir daquele momento,
sua obra foi ganhando mais espaço; chegaram mais alunos; ensinava a ler e
escrever, e os bons costumes da piedade cristã; estava nascendo, de forma tão
silenciosa como humilde, uma das obras mais importantes daquela época,
confirmando um dos direitos mais fundamentais de toda pessoa : “o direito a
ter educação, a ter uma escola gratuita e popular”; na época só os filhos dos
ricos recebiam uma adequada educação;
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o caminho não foi fácil; o
grupo de meninos aumentava todo dia; José reuniu um pequeno grupo de
colaboradores; as condições econômicas não eram boas; surgiram muitas
dificuldades: falta de locais apropriados para as escolas, graves apertos
econômicos, falta de professores que aceitassem com alegria o trabalho com os
pobres, algumas calúnias e até invejas; tudo funcionava sustentado na mais
generosa dedicação;
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no entanto, nunca voltou
atrás; havia encontrado a vocação definitiva; foi fiel até os 91 anos, uma
fidelidade feita de sacrifício, de trabalho pesado, de oração calada, de muita
presença de Deus; confiante, paciente, humilde; mesmo sendo ancião, animado e
sempre firme; apesar das muitas contradições, homem feliz;
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sem essa fé total e sem
sacrifício, a “Escola Nova” de Calasanz não teria ido para frente;
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pouco a pouco, a escola
gratuita para crianças pobres, foi tomando consistência; era coisa nunca vista
antes; a “Primeira Escola Popular Gratuita da história”;
3.- Meio século de entrega à
Educação
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em 1600, Calasanz mudou as
escolas para o Centro da Cidade; queria unir fé e cultura,
educando “homens e cristãos” ao mesmo tempo, pessoas realizadas e felizes;
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a escola de Calasanz foi uma
escola universal, aberta a todo tipo de pessoas : católicos,
protestantes, judeus..., todos tinham lugar; nunca suas portas se fecharam
para ninguém;
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para dar estabilidade à sua
obra, fundou a “Ordem Religiosa dos Padres Escolápios”, a
primeira Ordem Religiosa da Igreja dedicada totalmente ao ministério da
educação cristã;
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durante cinqüenta anos as
crianças foram a herança de Calasanz; a elas entregou sua longa vida, até os
91 anos, com uma paciência incomparável, digna dos grandes homens; ensinou a
ler, escrever e fazer as primeiras contas a milhares de pequenos; formou
inúmeros mestres; limpava pessoalmente as salas de aula; pedia esmolas pelas
ruas para sustentar a obra;
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teve que lutar muito para manter a obra, ciente do serviço que podia prestar à
sociedade; muitos não compreendiam; para defender as Escolas, escreveu um dos
documentos mais vibrantes e corajosos, em favor da educação dos pobres :
"O ministério da educação é o mais digno, o mais nobre, o de
maior mérito, o mais necessário, o mais natural, o primeiro, do qual
depende a vida toda da pessoa; é o mais razoável por parte do Estados,
pois eles deveriam ser os primeiros interessados em ter cidadãos bem
preparados para a vida e para o trabalho";
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palavras admiráveis num
homem que viveu há mais de quatro séculos;
levantou polêmica; nos padrões da época, onde a educação era privilégio de
poucos, muitos achavam que os pobres não deveriam ter acesso à educação; ele
lutou contra toda discriminação;
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Calasanz percebeu que uma das profundas raízes da miséria social era a
ausência de uma boa educação; só a educação seria o remédio mais eficaz para
renovar a sociedade (os tiranos fomentam a ignorância para dominar os povos);
fundou a "Primeira Escola Popular e Gratuita", e se constituiu em
"Defensor dos Direitos da Criança à Educação"; aí reside sua genialidade e
ousadia; profeta bem adiantado ao seu tempo, lutando pela liberdade da
educação para todos;
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pagou caro seu empenho em
dar aos pobres a educação; foi caluniado, perseguido, humilhado e até levado
preso; superou toda contradição com a dignidade de um homem extraordinário;
4.- Calasanz : um homem com
visão de futuro
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Calasanz viveu numa época de
grandes transformações sociais; sua intuição original foi perceber que a raiz
de muitos males da época provinham da ignorância da maior parte da população;
por isso pensou que a educação seria a melhor solução aos problemas
sociais;
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para ele, a educação deveria
ser uma perfeita combinação entre fé e ciência; por isso, a escola que fundou
pretendia:
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educar a fé de crianças e
jovens, com uma boa catequese;
-
instruir crianças e jovens
de tal forma que pudessem inserir-se na sociedade como pessoas ativas e
responsáveis;
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a grande descoberta de
Calasanz foi criar uma escola gratuita para os pobres; desta forma, mostrou-se
como um homem bem adiantado ao seu tempo, lutando pela liberdade do ensino
para todos; queria educar os jovens em todas áreas que fossem
necessárias para a vida;
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poderíamos resumir assim
suas principais reivindicações :
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postos escolares para
todos,
especialmente para os mais pobres;
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gratuidade
do ensino,
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obrigatoriedade desde o
pré-escolar
-
melhor qualidade de
ensino, bem sistematizado,
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formação integral
-
suas aspirações continuam a
ser da maior atualidade na época atual; deviam ser bem chocantes naquele
início do século XVII; daí as muitas dificuldades;
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percebendo que não existia
uma preparação sistemática do professor, Calasanz procurou a ajuda de homens
famosos para conseguir a melhor qualificação para seus colaboradores; foi
desta forma que entrou em contato com homens tão significativos como
Galileu e Campanella; soube aproveitar a sabedoria deles, apesar de
serem considerados como pessoas suspeitas; com espírito abertamente ecumênico,
pediu a colaboração de todas as pessoas que pudessem dar uma contribuição, sem
questionar idéias ou religião, sem discriminação de ninguém;
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viu a educação como a
solução eficaz para os problemas sociais da época; a paz e o progresso de uma
nação dependem, em boa medida, da qualidade de seu sistema de ensino;
portanto, a escola é o caminho mais eficaz para a construção de uma
sociedade justa e moderna; essa foi sua grande intuição;
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se rebelou contra uma
sociedade que não reconhecia o valor da criança e que dava muita importância à
distinção social; Calasanz iniciou um processo de renovação : o importante era
que todas as crianças e jovens pudessem, através de uma boa educação, chegar a
ser pessoas íntegras e honestas, com um futuro na vida;
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seu lema : “Escola
para todos, obrigatória e gratuita”; bem parece uma reivindicação dos
nossos dias; o que Calasanz já tinha previsto no início do século XVII, hoje
ainda custamos muito a conseguir; por isso é manifesta a genialidade deste
pioneiro no campo da educação.
5.- Padroeiro Universal das
Escolas Populares
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José enfrentou problemas
sérios, intrigas e invejas, com uma serenidade fora do comum; com esperança
que não se deixa abalar pelas dificuldades; foi denunciado, preso,
conduzido aos tribunais; não reclamou; sua paciência exemplar sabia
manter a calma no meio das tempestades, deixando assombrados os próprios
acusadores;
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o ponto culminante da
incompreensão aconteceu quando o Papa, mal informado, fechou as Escolas
por um Decreto; Calasanz sofreu muito, mas aceitou tudo com dignidade e
confiança; muito tempo depois, o Papa Pio XII falou dele com as seguintes
palavras : “O que São José de Calasanz sofreu nos últimos anos de sua
longa vida, o que suportou com heróica virtude, resplandece como uma das mais
fúlgidas e preciosas jóias na história”.
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morreu aos 91 anos, em 25 de
agosto de 1648, vendo tudo acabado;
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pouco depois, a sua obra foi
novamente reconhecida por outro Decreto do Papa, e surgiu com mais força do
que antes, chegando em poucos anos a muitos países de toda Europa; agora está
estendida por todos os continentes;
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em 1948 o Papa Pio XII
consagrou-o como “Padroeiro universal das Escolas populares cristãs”;
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foi um “Grande Profeta
entre os pequenos”.
6.- O Educador :
Cooperador da Verdade
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a finalidade principal das Escolas de Calasanz é a educação integral de
crianças e jovens, de tal forma que possam enfrentar a vida de uma
forma adequada, tanto no aspecto profissional como cristão; destinatários
desta missão são os menos favorecidos, resgatados de um ambiente social que
lhes nega o direito a viver dignamente;
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para poder realizar esta missão,
para poder levar à prática a
“escola nova”, era de fundamental importância a figura do
educador;
queria colaboradores competentes, com sólida experiência de fé e
uma boa preparação pedagógica; pedia deles :
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preparação intelectual
competente
: boa e ampla formação;
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virtudes humanas
de humildade e serviço (pois se dedicavam a uma missão muito pouco
valorizada naquele tempo)
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educadores que vivessem
profundamente o evangelho.
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queria o melhor a serviço dos mais carentes; e entendia este serviço como uma
verdadeira vocação;
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defendeu a dignidade do educador
numa época que desvalorizava o ministério docente; para ele era uma
missão muito digna, a mais digna...!
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Calasanz nos deixou uma
belíssima definição do educador: “cooperador da Verdade”;
o verdadeiro educador é aquele que acompanha cada criança e cada jovem ao
encontro dos grandes valores da vida, dentro dos planos de Deus, a partir do
Evangelho de Jesus; o educador vive sempre aberto à VERDADE e à VIDA;
-
o educador
é alguém que “busca” a verdade; vive sempre aberto à verdade;
vai descobrindo a verdade na medida em que se compromete com a realidade da
vida e dialoga com os homens, na medida em que é homem de estudo, reflexão e
silêncio;
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a verdade é a manifestação
dos planos de vida que Deus tem para cada homem; encontrar a verdade é
encontrar o caminho que leva o homem a uma plena realização de sua pessoa,
vivendo feliz e contribuindo às mudanças necessárias dentro da realidade onde
vive; sendo um bom filho de Deus.
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